As descontinuidades continuam.
Estava revisitando o blogger e pensando nas tantas coisas que publiquei por aqui. Tem registros de relacionamentos (quase) fracassados, depoimentos emocionados, memórias de memórias que se não fossem as publicações por aqui eu provavelmente já nem lembraria mais que aconteceram. Reflito no blog a intensidade que sempre levei a vida: os amores arrebatadores que me tiraram os pés do chão, as desilusões que me frustraram e quase sempre entristeceram, os desamigos e os percalços, pertinho das vitórias e inúmeras conquistas que me cabem.
Continuo no mestrado, como contei no post anterior, mas nada é igual. Estou às vésperas de uma qualificação que ainda não foi escrita, vivendo uma pandemia horrorosa e nunca imaginada, completamente arrastada por um "novo normal" em que abraçar, beijar e sair na rua estão quase impossíveis. No Brasil, já chegamos quase aos 150 mil mortos pela COVID-19, é como se o Mundo estivesse revivendo a Gripe Espanhola e as tantas Pragas do Egito que dizimaram populações e culturas. O Pantanal arde em chamas a meses, enquanto isso, o famigerado presi*dente age como o excelente incompetente que já prevíamos que seria.
Continuo estudando Geografia das Religiões, mas descobri tantas coisas novas que nem sei mais por onde estou. Talvez fosse interessante eu saber, mas agora, nesse exato momento, são 1h30 da manhã e talvez não seja o objetivo descobrir o que sou e sei agora.
2020 tem sido um ano arrebatador, Manu nasceu dia 14 de fevereiro, um dia antes do aniversário minha vó. Sofia, aos 14 dias de outubro, beira a presença terrena enquanto quer sair da barriguinha da mamãe Tassi kkkk e quem diria, Tassi e Gabi tão boas mães e tão fodas mulheres. Na verdade, acho que isso não era surpresa pra ninguém, mas tem sido incrível presenciar isso, ainda que em distanciamento social.
As disciplinas do mestrado foram melhores no segundo semestre do ano passado, visitei a História e a Antropologia, conflitei o suficiente comigo e com as/os outras/os, felizmente o aproveitamento geral foi A até aqui (beirando o 9 e com o alto teor de 10), aprendi tanto, mas tanto, que até doeu tamanho conhecimento. Não sou mais a Marceli de antes, e nem poderia, estou vivendo o olho do furacão, nada pode estar no mesmo lugar mais. Apesar de que, "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais", ou no desconcerto de nossos irmãos mesmo, quem sabe ainda nos extremismos de nossos avós, ou ainda, na ternura de nossas tias e nossos tios. Vai saber...
Adriel e Bento continuam brigando e se amando infinitamente. Tanto quanto eu os amo. Reavivam minha esperança e ternura em um mundo com amor, empatia, carinho e muito bichinho com casa e sendo bem cuidado.
Tenho novos amigos e novas amigas, e agora, apesar de não concordar sempre com a dualidade de gênero (homem e mulher), escrevo diferente. Tenho novas amigas que nem imaginava, Kauana, Ana, Mariana (todas em "a-n-a") tem me auxiliado a viver as barras acadêmicas de formas menos tristes e solitárias. Nossas histórias (e Geografias) se entrecruzam. O tempo todo, inclusive.
Com a pandemia (e os já 7 meses de hashtag fica em casa) a diversão tem sido ler, jogar uno e dividir momentos e comidas com Tia Ângela e Gabriel, graaaandes companheiros dessa quarentena. Sabe aquela família que vira amigo mesmo? Eu diria que eles são essas pessoas. Para além do sangue, estamos muito mais conectados e próximos, o que tem aliviado em muito a tensão e o caos de viver uma pandemia de um vírus tão perigoso. Tia Idema e Renata estão com saúde também. Minha vó, cada vez mais fofoqueira e carente e, meu irmão, o mesmo ciumento e sem noção de sempre.
Mas, para além do óbvio e de mim, estamos vivendo momentos complexos e extremamente difíceis. Brasil voltou ao mapa oficial da fome, por todos os lados vemos gente sem casa, sem comida, sem saúde ou passando necessidades. A tv e os rádios pararam de anunciar a superlotação dos presídios e passaram a ter de contabilizar, por conta própria, os números de infectados e óbitos em decorrência do Novo Coronavírus. Estamos tristes, doentes, perplexos e exaustos.
O que salva, diante disso tudo, são as pequenas vitórias e acontecimentos cotidianos. Hoje eu sou bolsista Capes, o RBD vai fazer live ao vivo e disponibilizaram boa parte das músicas no Spotif*, aprendi a fazer pizza, churrasco, feijão, pão e esfirra durante a quarentena e, estamos com saúde (tá!, pelo menos não estamos ou estivemos com Covid-19, o que já é algo positivo).
Tenho Adriel, Bento, Pedro, Charles, Matheus, as meninas, minha mãe, a família (cada vez mais seleta e restrita), Vanessa (Mimo), Sidney, Luiza, Gil, Ricardinho e tantas outras pessoas que se eu tentar lembrar, provavelmente acabe esquecendo. Vocês me erguem e me mostram o motivo de estar aqui, ainda, vivendo a intensidade que nos cabe. E não ando só. Nunca andei. Tenho Oxum, Xangô, Ogum e tantas outras e outros que me guiam, me regem, me protegem e me iluminam. Não ando só. Vocês me fazem forte, até quando nem eu mesma acredito. Não ando só. Ando com os meus e as minhas, sou resultado de um tanto de gente, de coisas e de ensinamentos e aprendizados. Nunca chego sozinha. Nunca sou só Marceli. Eu sou nós, sou elas e eles, sou resultado de processos muito maiores que resultam do que aprendo e ensino todos os dias. Eu não ando só!
Mas... antes de finalizar esse registro, gostaria de agradecer aos/as colegas, amigos/as e familiares que tem me ajudado nesses percursos e, que, acreditam no potencial do que tenho a mostrar pro mundo. Não é fácil estar nessa jornada tão intensa e as vezes distante, praticamente sozinha. Tê-las/os comigo é fôlego.
Essa semana libero a Exposição Trajetórias Geográficas, depois retorno para contar como foi. E volto pra contar como tem sido incrível a troca com os colegas do Terra de Santo.
Que tenhamos saúde! Que tenhamos umas/uns às/aos outras/os. ESTAMOS VIVOS, IRMÃO.
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