Eu adoraria saber lidar com tudo isso. Gostaria, profundamente, de não sentir nem 1/4 do que eu sinto hoje. De estar bem. De estar feliz. De fingir que nada me incomoda. Que tudo faz muito sentido. Que eu adoro festas. Que eu já fui a várias. Que descobri de novo um mundo repleto de coisas que me completam. Coisas que fazem parte de mim.
Adoraria não chorar. Não sentir essa angústia dentro do peito. Não estar decepcionada. Não sentir essa revolta absurda todos os dias. Com quase todas as pessoas. Adoraria não me sentir egoísta por querer que quem me fez esse mal também sinta tudo isso. Eu queria, do fundo do meu coração, que isso tudo passasse de uma vez. Que as flores da primavera voltassem a florescer dentro do meu peito. Que eu encontrasse minha essência e me bastasse. Que a paz de estar de bem com o Mundo fosse maior do que qualquer outra coisa que acontecesse para me ver balançar.
O problema é que eu balanço.
Eu sou transparente de mais. Sou eu de mais. Me doo de mais. Me esforço de mais. Sofro demais. Tenho reciprocidade de menos.
Eu não desejo o mal. Eu só desejo que se entenda o que os outros sentem. Eu desejo consideração e compreensão com o próximo. Eu desejo que um dia, quem tanto me fez chorar, entenda o quanto é péssimo usar as pessoas em nome de um ego inflado. Até por quê, o ego é tipo um balão, um dia murcha.