Eu não entendo. Sofro de indecisão, já assumida. Me complico para comprar uma roupa, um chocolate, um livro, um cd e até um basiquinho dvd, eu pego um, olho outro, gosto dos dois e aí já era. Ninguém demora meia hora para escolher entre um Bis branco e uma barra de Diplomata. Até por que o Diplomata é melhor. Ou o Bis. Tá, complicaram-se os fatos. Mas voltando ao meu assunto... Não entendo como as pessoas conseguem ter tantas dúvidas assim sobre o que sentem. O que acontece com a cabeça de um ser humano que em um domingo à noite ressalta o sentimento ENORME que existe por outra pessoa e numa terça-feira chuvosa se contradiz, esperando só ser compreendido e perdoado pelas palavras que jogou ao vento, de qualquer forma, doendo a quem doesse. O que esperar de alguém depois de cair e levantar tantas vezes, sempre no mesmo ponto do percurso, tendo só como distinção as companhias que ali junto estavam ? Deixa que eu respondo: Nada. Cada vez eu desacredito mais nessa coisa de amor. Nessa tal de "confiança" e também naquela babaca chamada "consideração pelo próximo". Estava eu aqui, lendo o "Não se apega não" quando achei um trecho, logo no início, que dizia exatamente sobre o que eu estou passando. Vou anexar aqui para você entenderem do que se trata.
"Eu sempre fui uma garota-conto-de-fadas. Gosto de chamar de garota-conto-de-fadas todas aquelas que acreditam no melhor das pessoas. Não que eu creia em príncipes, unicórnios e muito menos em "felizes para sempre" (por mais que eu queira que tudo isso exista!). Mas eu gosto de ver o melhor que cada pessoa tem dentro de si. E isso me fez esperar demais de rapazes que não me davam tudo o que eu queria, tudo o que eu esperava, sonhava e imaginava."
Viram só? era exatamente disso que eu falava. Estou cansando de criar expectativas. Criar vínculos. E acabar na mesma, sempre.
Eu faço tipo sonhadora sim. Me apego fácil e me ralo muito por isso. Eu me ralo, meu coração se rala, meu ego e minha alegria também. Ficamos todos feridos.
E o pior é que nem era amor. Era só alguém pra contar sempre. Contar o dia. Contar as frustrações. Contar pra contar. Mas mais uma vez deu tudo errado. Mais uma vez eu me sinto enganada. Suja. Chata e sem atrativos.
Eu não gostaria de ser assim, mas parece que não aprendo nunca. Vivo quebrando a cara da mesma forma. Me doando demais. Me envolvendo de mais, sofrendo demais e me culpando demais. E é só pela sensação de ser enganada. Ser esquecida, como uma lata de milho vencida bem no fundo de um armário.
O erro não é meu. Mas é.
Amanhã quem sabe eu volte para contar como me sinto. Ou quem sabe vocês precisem mandar um telegrama à Marte, pois corro o risco de fugir para bem longe e voltar só no Natal. Afinal, completar dezenove anos longe das frustrações diárias e das frustrações amorosas não me parece uma má ideia.
E melhor do que isso, seria só não ter sentimentos.
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